Tortilha à Espanhola

tortilha à espanhola

Esta tortilha (conhecida em Espanha como tortilla de patatas) é, juntamente com a Paella,  um dos pratos mais emblemáticos da cozinha tradicional espanhola.
A receita, preparada com ingredientes muito acessíveis, próprios da economia de subsistência, é muito simples de confecionar, sendo também muito versátil. Dourada por fora e húmida por dentro, a tortilha pode ser consumida quente, fria ou morna, servida ao pequeno-almoço, ao lanche ou simplesmente como petisco. Pode ainda ser servida como prato principal se for acompanhada com uma salada.
A tortilha é feita unicamente com batatas, cebolas, ovos, azeite e sal. Foram, no entanto, desenvolvidas diversas variações regionais da receita tradicional: com e sem cebola, com pimento verde e vermelho, com presunto…
Embora não haja dados concretos acerca da sua origem, sabe-se que surgiu no norte de Espanha, na região de Navarra, próximo dos Pirinéus. A primeira referência documental da receita, “Memorial de la ratonera”, é datado de 1817, sendo dirigido às Cortes para demonstrar as condições miseráveis em que viviam os camponeses comparativamente aos habitantes das cidades da região, nomeadamente Pamplona. Há uma passagem aludindo que somente com 2 ou 3 ovos as mulheres camponesas conseguiam preparar uma tortilha grande e pesada, misturando batatas, pedaços de pão ou outros ingredientes. Por outro lado, uma lenda associada à receita refere receita que a tortilha foi inventada por acaso por uma camponesa dos montes navarros, certo dia, quando um general bateu à sua porta e pediu jantar. Tudo o que a pobre mulher tinha em casa eram ovos, batatas e azeite. Sem saber o que fazer, acabou por criar uma das receitas mais tradicionais da cozinha culinária espanhola, e um dos pratos mais conhecidos e apreciados em todo o mundo.

Ingredientes:

Escalopes à Moda de Viena (Áustria)

escalopes à moda de Viena

Wiener schnitzel é a designação tradicional deste prato de carne, um dos mais conceituados da gastronomia austríaca. No Brasil, é conhecido como Bife à Milanesa, sendo que, em português, de uma forma geral, é designado simplesmente “panado” ou “panadinho”.

Pensa-se que o prato tenha tido origem em Bizâncio, uma cidade da Grécia Antiga, tendo a receita sido levada para a Península Ibérica por comerciantes árabes durante a Idade Média e, posteriormente, para a Itália. No século XV, os habitantes de Veneza ostentavam a sua riqueza colocando grãos de ouro sobre a comida. No entanto, surgiu uma lei a proibi-lo e, a partir de então, o ouro passou a ser substituído pelo pão ralado, que se mantém até aos dias de hoje.

Sopa da Pedra (Almeirim)

sopa da pedra

A Sopa da Pedra é uma sopa tradicional da cozinha portuguesa, originária de Almeirim, em Santarém, no centro de Portugal. É uma sopa consistente e rica, feita à base de carne, enchidos, feijão, couve, batatas e cenoura. Tradicionalmente, coloca-se a pedra, bem lavada, no fundo da terrina e, depois de comida  a sopa, guarda-se a pedra para a próxima vez que for confecionada.

A designação desta sopa encontra-se em muitas culturas ocidentais e tem como base um conto tradicional que apresentamos no final da receita, que nos diz ter sido um frade lambareiro e espertalhão o primeiro homem a confecioná-la.

Sendo um dos pratos típicos da região ribatejana e um dos ícones da cozinha tradicional, a sopa da pedra foi um dos  pratos finalistas nas 7 Maravilhas da Gastronomia portuguesa.

Ingredientes:

(para 6 a 8 pessoas)
  • ½ kg de feijão-encarnado (feijoca)
  • 1 cebola
  • 2 cenouras
  • 1 couve-lombarda
  • 1 farinheira
  • 1 folha de louro
  • 1 ramo de coentros
  • 2 dentes de alho
  • 250 g de carne de vaca
  • 400 g de batatas
  • 60 g de chouriço
  • 60 g de morcela
  • 800 g de carne de porco (orelha, pés e toucinho)
  • sal e pimenta a gosto

Confeção:

De véspera raspe e limpe bem a orelha e os pés de porco e salgue-os. Ponha o feijão de molho.

No dia da confeção, leve o feijão a cozer, juntamente com o louro. Tempere com sal e pimenta. Junte mais água, se for necessário.

À parte coza as carnes e os enchidos (à exceção da farinheira, que deve cozer em separado).

À medida que forem cozendo, vá retirando as carnes sucessivamente, visto que a carne de porco coze mais depressa que a de vaca, o mesmo acontecendo com a morcela em relação ao chouriço. Corte as carnes e os enchidos em pedaços.

Logo que se retirarem todas as carnes, junte a couve, as cenouras, a cebola, todas elas cortadas em pedaços, os alhos picados, e algum tempo depois as batatas também em pedaços.

Depois de cozido, retire 2 conchas de feijão e reduza-o a puré.

Quando os legumes estiverem cozidos, junte-lhes os feijões inteiros e os passados. Deixe ferver todos os ingredientes, para apurar, e retifique o sal. Acrescente também os coentros picados e a pimenta.

Depois de frios, corte os enchidos em rodelas finas.

Tire a panela do lume e introduza as carnes previamente cortadas.

No fundo da terrina onde vai servir a sopa, coloque uma pedra, tipo seixo, bem lavada. Decore com coentros picados e sirva quente.


Charque Farroupilha

charque

A Revolução Farroupilha, também conhecida por Guerra dos Farrapos, deu-se no Rio Grande do Sul e foi a mais longa revolta brasileira (1835-1845). Na época, esta região do Brasil tinha uma economia baseada na criação de gado e na produção de charque (carne seca), couro, sebo e graxa, que se destinavam ao mercado interno. O charque era vendido em todas as províncias (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e na região nordeste), pois era usado na alimentação dos escravos.

Os produtores gaúchos reclamavam dos altos impostos cobrados pela entrada de seus produtos nas outras províncias e da concorrência “desleal” do Uruguai e da Argentina, países que também produziam e vendiam charque para o Brasil, mas que pagavam um imposto alfandegário baixo. Assim, os produtos importados eram muitas vezes mais baratos que os provenientes do Rio Grande do Sul, o que estava a arruinar a economia gaúcha. A 20 de setembro de 1835, os rio-grandenses, conhecidos como farroupilhas (palavra usada para ridicularizar os simpatizantes das ideias liberais), revoltaram-se contra o governo, obrigando o presidente da província a fugir. A partir de então, a cada 20 de setembro se assinalam os ideais da Revolução Farroupilha, que tinha como objetivo melhorar as condições económicas de Rio Grande do Sul. E é assim que, todos os anos, os gaúchos reafirmam o orgulho nas suas origens.

Bacalhau à Brás

bacalhau à Brás

O bacalhau à Brás é um prato típico da cozinha portuguesa, de confeção simples, sendo um dos mais afamados pratos de bacalhau. A sua popularidade levou-o além fronteiras de Portugal, sendo também possível encontrá-lo em ementas espanholas, onde recebe a designação de “revuelto de bacalao a la portuguesa”.
A receita, feita com bacalhau desfiado, batata frita em palha, ovos mexidos e salsa, terá sido criada por um taberneiro do Bairro Alto, em Lisboa, de nome Braz. Devido à grafia do nome do seu autor, este prato também é conhecido como Bacalhau à Braz.

Ingredientes: